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segunda-feira, março 31, 2003  

e tem coisa nova no Pequeno Dicionário.

escrito por Fabio Fernandes | 3/31/2003 06:05:00 da tarde
 

Eu falei que ia começar a postar só drops nos próximos tempos, não falei? Bom, então por hoje é só (acho eu), e divirtam-se com as dicas abaixo. E (como dizia meu instrutor de alpinismo social, o velho Ibrahim), ademã que eu vou em frente. Bái!

escrito por Fabio Fernandes | 3/31/2003 10:55:00 da manhã
 

Outro site bacanérrimo (copyright Stanislaw Ponte Preta) é o Givago, capitaneado pelo Emilio Fraia. Nesta edição, confira os ótimos contos do Ronaldo Brito Roque e do Marcelino Freire.

escrito por Fabio Fernandes | 3/31/2003 10:53:00 da manhã
 

Dica de blog bacana? Pois não: é o Estante de Livros On-line, da Ana Elisa Ribeiro, que comenta livros e ainda entrevista autores. Façam uma visita e saboreiem!

escrito por Fabio Fernandes | 3/31/2003 10:51:00 da manhã


sexta-feira, março 28, 2003  

Tem GOSTOSA na Vila Madalena! Quem acompanha este blog já sabe, mas para quem não sabe, explico: há algumas semanas foi lançada aqui em Sampa uma coletânea de contos eróticos fantásticos chamada Como Era Gostosa a Minha Alienígena. A editora é a Ano-Luz, pequena porém eficiente, capitaneada pelos meus amigos cariocas Gerson Lodi-Ribeiro e Octavio Aragão. Eu tenho um conto nessa coletânea, uma piccola homenagem a Clarice Lispector e à dupla Siegel/Schuster (mais não conto), chamado A Paixão Segundo S.H.. Eu tinha esquecido de avisar, mas desde ontem a GOSTOSA (como a coletânea foi apelidada carinhosamente pelos seus editores) já pode ser comprada na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915, na Vila Madalena).

Para quem não conhece muito bem a região, a Fradique é transversal à Teodoro Sampaio e à Cardeal Arcoverde. Dá pra pegar o Metrô, descer na Estação Clínicas, andar até a Cardeal e pegar qualquer ônibus que a percorra toda (ou seja, quase todos). O negócio é ficar atento e saltar no ponto mais próximo (é pouco depois da Henrique Schaumann, ok?)
Vale a pena, até porque a livraria é um espaço muito bonito, com dois andares enormes, e tem muita coisa boa lá (Jamil Snege inclusive).

escrito por Fabio Fernandes | 3/28/2003 10:49:00 da manhã
 

Nova série: Arqueologias. Como estou a cada dia ficando com menos tempo (e semana que vem vai ficar pior), decidi fazer umas escavações arqueológicas na Web em busca de textos antigos meus. Hoje me deparei com um texto que saiu em dois sites das antigas, em maio de 2001 (para a Web, isso já é antigo, vocês têm de admitir). Trata-se de uma homenagem a Walter Benjamin comentando a questão dos e-books e do pretenso fim dos livros de papel - algo que em 2001 estava sendo apregoado a três por dois. Confiram abaixo e depois me digam se ainda está valendo ou se ficou datado.

O Ato da Leitura na Época da Reprodução Eletrônica

Recentemente, a publicação do último livro do crítico americano Harold Bloom gerou uma celeuma como há muito não se via entre leitores. Em Como e Por Que Ler (Editora Objetiva, 2001), Bloom defende o livro de papel contra os e-books e convida o leitor a uma viagem pela literatura universal, mostrando o valor e a força que os clássicos têm ainda hoje e – o que poderia parecer estranho há duas ou três décadas – se propõe a ensinar o leitor a ler.
Em artigo recente para um jornal americano, Bloom parece ter exagerado ao pedir mais consciência dos leitores jovens e criticar a série literária infanto-juvenil Harry Potter, da inglesa J. K. Rowling, o que provocou – pelo menos em algumas listas de discussão aqui no Brasil – muito mais confusão do que seu livro. Houve quem dissesse que o americano estava querendo aparecer. O que não parece a hipótese mais provável para o maior especialista vivo em Shakespeare e que lançou no ano passado a obra definitiva de análise do bardo inglês: Shakespeare – A Invenção do Humano (Objetiva, 2000).
Entretanto, descontado o exagero da diatribe contra Harry Potter – afinal, crianças e adolescentes não têm obrigação de começar a ler com Shakespeare ou Dante – talvez Bloom esteja certo em querer ensinar o que pode estar se tornando uma arte perdida: a leitura de livros. Há alguns meses entrevistei para um portal de Web um consultor que me fez a seguinte confidência: ele não lê mais livros. Por falta de tempo, ele prefere se concentrar na leitura de jornais e revistas, e em websites, que, segundo ele, lhe dão tudo o que necessita saber.
Em termos de necessidades imediatas, ele pode estar certo. Mas até onde essa recusa a ler livros pode interferir na educação – e, conseqüentemente, até mesmo na possibilidade de evolução pessoal e profissional?

Informação não é conhecimento

Está lá, no Aurélio Século XXI: uma das definições apresentadas no dicionário para a palavra "informação" é "dado acerca de alguém ou de algo". Para simplificar, dados. Informação é um dado, ou um conjunto de dados. Conhecimento, segundo o mesmo dicionário, pode ser definido como "discernimento, critério, apreciação".
O que faz a informação que recebemos virar conhecimento? Informação só gera conhecimento na medida em que ela é filtrada pela nossa experiência de vida e a assimilamos segundo conhecimentos previamente acumulados e padrões de comportamento que seguimos. Ou seja, nossas próprias consciências são a ponte entre um e outro. Quanto mais rica for a vida de uma pessoa, mais possibilidades ela tem de transformar as informações que recebe diariamente de jornais, revistas e websites em conhecimento.
O livro – e aqui estamos nos referindo especificamente ao livro de ficção – pode conter, mais que uma simples história, percepções diversas da vida através de seus personagens, e da mão do autor que os criou. Além de ser muito divertido e relaxante, quando a história é interessante. E – o que é o mais importante para este ensaio – independe do meio em que for publicado.

José e as tabuinhas cuneiformes

Meu amigo José é um grande leitor e colecionador de ficção científica. Esse gênero literário, que já foi considerado profético através das obras de autores hoje clássicos Jules Verne, H.G.Wells e Isaac Asimov – e que hoje, pelo menos no Brasil, se encontra relegado basicamente ao cinema e a séries de TV – é a grande paixão de José. Certo dia, ao discutirmos o futuro da literatura na visão da ficção científica, chegamos a um impasse: eu defendia que o livro, em sua forma tradicional de papel, ainda permanecerá por alguns séculos, convivendo em relativa harmonia com os meios de reprodução eletrônicos. Ele, por sua vez, manifestou sua discordância com a bem-humorada resposta:
- Sim, claro. Assim como as tabuinhas de argila com a escrita cuneiforme dos babilônios convivem até hoje com os livros de papel...
O que o meu inteligente e irônico amigo não levou em conta foi o conceito de produção em série: A "tiragem" de tabuinhas cuneiformes era tão grande quanto a velocidade pela qual os oleiros pudessem cozer as tábuas de argila em seus fornos e os escribas pudessem escrever com seus estiletes, e isso sem contar que os únicos leitores naquela época eram praticamente os próprios escribas. Não existem registros das "tiragens" de tábuas que eram produzidas sobre determinado assunto (geralmente éditos governamentais ou simplesmente contagens de rebanhos), mas certamente nunca chegaram aos mil exemplares que constituem a tiragem mínima de qualquer editora no Brasil em 2001.

Coexistência e Articulação

Fazendo uma analogia com o que diz Pierre Lévy em seu livro Cibercultura (Ed. 34, 1999), assim como a escrita não substituiu a fala e a máquina de escrever não substituiu a escrita manual, os e-books não substituirão os livros, pelo menos nas duas próximas gerações. Primeiro, porque existe público para os livros de papel – como fenômenos como Paulo Coelho e a série de Harry Potter demonstram. Em segundo, porque as editoras e livrarias movimentam um mercado bilionário no mundo inteiro, e ainda estão aprendendo a lidar com computadores, Internet e e-books com vistas a um lucro futuro. É provável que aprendam um dia, ou serão obrigadas a enfrentar empresas emergentes que saibam utilizar essa nova técnica em proveito próprio. Mas o futuro em que os livros em meio eletrônico substituam definitivamente os livros em papel ainda parece muito distante. Enquanto isso, vamos desfrutar do que Lévy chama de articulação – uma convivência entre duas culturas (ou no caso duas mídias) diferentes.
Porque não adianta pensar em evolução com base apenas em critérios técnicos. O videofone, cujo protótipo foi exibido em 1964 pela AT&T Bell Labs na Feira Mundial de Nova York, só encontrou ampla utilização há poucos anos, ligeiramente adaptado para sistemas de Vídeo sobre IP (usado em teleconferências) e com as webcams, usadas para comunicação visual pela Internet. O motivo? Segundo uma pesquisa feitas pela Bell Labs na época, a recusa dos consumidores se devia basicamente ao incômodo de lidar com um equipamento pesado, com controles difíceis de manejar uma imagem pequena demais. Dizem nos bastidores, entretanto, que a história foi outra: a maioria dos entrevistados teria comentado que jamais possuiria um videofone em casa porque teria de estar sempre bem arrumado para falar com seus interlocutores. Já com o telefone - ou, hoje em dia, o e-mail - aparência não importa.
Este é apenas um dos muitos exemplos de como o fator humano influencia a aplicação de inventos. Nada mais natural, visto que esses inventos foram criados para os humanos, e deveriam portanto atender suas necessidades. Estéticas, inclusive.
Mas é impossível negar que, apesar de toda a discussão em torno dos e-books, eles existem. Abrindo mais o leque, podemos dizer que a questão não é exatamente o e-book (que seria apenas uma plataforma mais amigável para o leitor), mas o texto convertido em formato eletrônico. E que pode ser tão gostoso de ler quanto o bom e velho livro de papel. Porque o que importa é que o ele contém.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra

Mas a confissão do consultor segue um caminho diferente. Ele não tem o menor problema com a leitura de textos em formato eletrônico, pois afirma que lê em websites. Portanto, o problema no caso em questão não está ligado à forma.
O motivo que ele deu foi bastante simples, e explicável em nossa sociedade: a falta de tempo. É preciso absorver o máximo de dados no mínimo do tempo, e convenhamos, um livro – entendendo aqui por livro um texto com um mínimo de 49 páginas, novamente conforme definição do Aurélio Século XXI – leva muito mais tempo para ser lido que as últimas notícias veiculadas em um website ou em um jornal. É também uma questão de velocidade: a velocidade na qual nos locomovemos, a velocidade na qual nos vemos obrigados a pensar e tomar atitudes. A velocidade da vida no terceiro milênio.
Contudo, a velocidade em si não é nada. Importa é o que fazemos com ela: no mundo automobilístico, a mesma velocidade que permite que uma ambulância leve um paciente em estado grave para um hospital a tempo de ser operado e ter sua vida salva pode ser a mesma que mata um jovem disputando um "racha" em uma esquina da mesma cidade.
Portanto, a confidência do consultor citado no início deste texto é bastante suspeita: longe de simbolizar uma exigência fundamental do mercado no qual ele está inserido, ela pode apenas indicar que a pessoa em questão simplesmente não gosta de ler livros – e ponto final.
Até aí, nada contra. Leitura é gosto e gosto não se discute. Mas embora talvez não seja adequado discutir o quê ler (afinal, até Harold Bloom pode errar), não se pode esquecer que essa situação de abandono dos livros parece estar se tornando uma tendência entre executivos e profissionais que trabalham em ritmos cada vez mais acelerados – se é que já não era uma tendência antes mesmo do advento da Internet. Até que ponto esse descaso pelos livros influirá na educação das futuras gerações, ainda é uma incógnita.

PS: Para quem se interessa em livros, independente da mídia em que se encontrem, indico dois sites fundamentais. O primeiro é o famoso Project Gutenberg, que desde a década de 1970 (!) se dedica a digitalizar e disponibilizar gratuitamente livros de domínio público no formato mais simples para qualquer usuário – o popular .txt. São milhares de livros, desde A Odisséia, de Homero, até The Hacker Crackdown, de Bruce Sterling, autorizado pelo autor, até as obras completas de Shakespeare. Em seguida, The Great Books, uma seleta da famosa coleção Great Books of the Western World, da Encyclopaedia Brittanica. Quase todos os livros encontrados ali, no entanto, podem também ser achados no site do Gutenberg.

Data de Publicação: 31/05/2001


escrito por Fabio Fernandes | 3/28/2003 07:55:00 da manhã


quinta-feira, março 27, 2003  

Pra não dizer que não falei de flores, vejam vocês a listinha de livros que preciso ler nas próximas duas semanas para a minha dissertação de mestrado:

Neuromancer, William Gibson (enésima releitura)
O Sistema da Moda, Roland Barthes
O Império do Efêmero, Gilles Lepovetsky
Cibernética e Sociedade, Norbert Wiener
The Mathematical Theory of Communication, Claude Shannon e Warren Weaver.

Vocês não entenderam o que esses livros têm a ver uns com os outros, certo? Eu também não, mas tenho cá umas teorias que quero testar, e só lendo estes (ótimos) livros para conferir. E tome leitura!

escrito por Fabio Fernandes | 3/27/2003 08:45:00 da manhã
 

Dois links bons. Se você é contra a guerra, dê um clique:
neste texto excelente do escritor alemão Günther Grass (ganhador do Nobel de Literatura e autor dos excelentes O Tambor e A Ratazana) sobre a posição de seu país e seus compatriotas frente à sanha assassina de Mr. Bushit. Para quem não é assinante do UOL, o texto está na edição impressa de hoje da Folha de São Paulo. Só um trechinho pra adoçar a boca:
Não, não é o antiamericanismo que prejudica a imagem dos EUA, não são o ditador Saddam Hussein e seu país, em grande medida desarmado, que ameaçam a potência mais forte do mundo -são o presidente Bush e seu governo que agem no sentido de derrubar os valores democráticos, que prejudicam seu país, que ignoram as Nações Unidas e que assombram o mundo com esta guerra contrária ao direito internacional.

Consumers against war - Não, não é aquela história de "não vamos mais tomar Coca-Cola nem comer no McDonald's", atitudes que não só não surtem o menor efeito para os EUA como ainda prejudicam as dezenas de milhares de brasileiros legitimamente empregados por essas empresas. Esse grupo de jovens alemães fornecem uma extensa relação de empresas americanas a serem boicotadas em protesto à guerra. Certo, a Coca-Cola está entre elas, além da Pepsi, da Amazon, da Procter & Gamble, da Texaco e muitas outras. É bom para sabermos com quem estamos lidando, mas na minha opinião o buraco é mais embaixo. Boicotar a Coca-Cola não vai fazer diferença para os americanos, e pode até tirar o emprego de alguns brasileiros que precisam muito (porque nem todo mundo tem MBA para pular fácil de um emprego para outro). Mas a lista pode servir para que boicotemos os produtos importados diretamente dos EUA - o que pode até não prejudicar ninguém (nem acho que deva ser essa a intenção), mas serve para dar um recado a Mr. Bushit. E a hora é esta. Os mais novos não conseguiram ainda entender o tamanho do monstro, mas desde 1968 o mundo não vê tantos protestos. Não dá mais pra ser blasé, pessoal. Vamos fazer a nossa parte. Mesmo que ela seja "apenas" (as aspas são porque esse apenas já é muito para ser menosprezado) rezar ou deixar (temporariamente) de comprar livros pela Amazon, por exemplo. É apenas a minha opinião. Mas acho que vale a pena tentar.

escrito por Fabio Fernandes | 3/27/2003 08:42:00 da manhã


quarta-feira, março 26, 2003  

Maratona Jamil Snege. A primeira vez em que ouvi falar do Jamil foi quando, mesmo? Jamil é daquelas figuras que você acabou de conhecer mas parece que você vivia ouvindo falar nele desde criancinha. Não é por força da mídia da massa, que ela e o Jamil não se dão. Mas é maldade da mídia, porque o Jamil é gente boa. E como escreve bem o diabo do sujeito!! Dá até raiva, porque você não consegue largar os livros dele (eu, correndo o risco de tomar na tarraqueta por causa dos meus eternos deadlines de tradução) e, se você, como eu, peleja com as palavras com a pretensão de ser escritor, tem até vontade de desistir. Porque vá ser bom assim no raio que o parta!!
A segunda vez em que ouvi falar do Jamil foi ao ler uma edição da revista Cult do final do ano passado, numa entrevista concedida por ele ao Ricardo Sabbag, que é co-editor do SPAM ZINE e aliás tem um blog bem bacana, sobre o que eu já devia ter comentado (corrijo o pecadilho agora). Gostei do sujeito.
A terceira vez em que ouvi falar do Jamil foi ao entrevistar o Marçal Aquino (para uma entrevista que acabou, por motivos de força maior, ficando inédita). Na casa do Marçal, um livro me chamou a atenção: Viver é Prejudicial à Saúde. Perguntei ao Marçal se o livro era bom; ele respondeu que era ótimo, como aliás tudo o que o Jamil escreve. Perguntei onde comprava, ele me cantou a pedra: "O Jamil vende pelo correio. Dá uma ligada pra ele." E me passou o telefone do sujeito.
Há algumas semanas, liguei para o Jamil. Falamos pouco, mas ele foi bastante simpático. E me cantou outra pedra: "Acabei de enviar alguns livros para a Livraria da Vila, aí em São Paulo. Você pode comprar com eles." Agradeci. E fui à Vila Madalena.
Lá, havia três títulos do Jamil: além do citado acima, um volume de contos (Os Verões da Grande Leitoa Branca) e uma autobiografia (Eu Se Fiz Por Mim Mesmo). Comprei os três. E devorei tudo em três dias contadinhos.
Porque o negócio não é mole: os livros do Jamil, além de inlargáveis, são incríveis e tremendamente comoventes. Comoventes no sentido de mexer com quem os lê: você ri, chora, se irrita, se inspira, enfim, se você não sentir nada lendo os livros do Jamil, sinta o pulso. Você pode estar morto.

escrito por Fabio Fernandes | 3/26/2003 08:43:00 da tarde
 

PS:SP Meninos e meninas, eu estive lá. Dificilmente São Paulo verá no resto do ano lançamento tão concorrido: segundo o Marcelino Freire, co-editor desta absolutamente acachapante revista de edição primeira e única (o outro é o Nelson de Oliveira) e feliz proprietário do blog eraodito, já comentado por aqui, cerca de QUINHENTAS PESSOAS deram o ar da sua graça no anexo do Espaço Unibanco de Cinema, na Rua Augusta segunda-feira passada. Foram dados DE GRÁTIS 300 exemplares (eu peguei o de número 99), e agora só comprando. Mas vale a pena desembolsar as trinta pilas pela revista na livraria do Espaço Unibanco ou na Cultura: a PS:SP é um projeto bolado pelo Marcelino e pelo Nelson há algum tempo, e consiste basicamente em mostrar um instantâneo de um momento determinado da literatura paulistana entre 2000 e 2002. Como os próprios editores admitem, a coletânea é super-incompleta. Para ser um retrato completo, absoluto, holográfico e tridimensional, eles teriam no mínimo de reunir mais uma dúzia de escritores e poetas. Mas os doze que ficaram, todos contistas, são um time como há um bom tempo não se via. Só uma amostra: Marçal Aquino, Joca Reiners Terron, Ronaldo Bressane, Bruno Zeni, Fernando Bonassi, Ivana Arruda Leite e Claudio Galperin, além dos próprios Marcelino e Nelson (sei que faltou citar alguém, mas acabei de devorar a revista e agora quem está lendo é minha mulher).
Antes que alguém diga alguma coisa, não estou ganhando nada com esta propaganda absolutamente descarada. Ou melhor, estou retribuindo o prazer que me foi proporcionado por leitura tão vívida e pulsante. Resumindo? Do caralho!

escrito por Fabio Fernandes | 3/26/2003 08:26:00 da tarde
 

Ando meio desligado. Por conta do mestrado e de uns trampos novos que apareceram, vou ficar mezzo calabresa mezzo mozzarela neste blog. Provavelmente postarei drops nos próximos 7 a 10 dias. Mas não deixarei de dar notícias. Hoje ainda tenho coisas para falar. Leiam os posts acima, s'il vous plâit.

escrito por Fabio Fernandes | 3/26/2003 08:18:00 da tarde


segunda-feira, março 24, 2003  

Chapado. É como me sinto agora, que acabo de voltar da cabine para a crítica do filme Solaris, de Steven Soderbergh. Segunda versão do clássico da literatura de ficção científica escrito pelo polonês Stanislaw Lem na década de 1960 (e filmado pela primeira vez por Andrei Tarkóvski em 1972), Solaris é ao mesmo tempo um filme de autor realizado com um cuidado impressionante (destaque para a direção de arte e para a ótima trilha sonora), e uma bela homenagem a Tarkóvski. Sim, porque quem resumiu perfeitamente o filme foi o Sérgio Kulpas, que assistiu a tudo do meu lado, igualmente chapado: "O Soderbergh fez um filme russo". No melhor dos sentidos: é um filme com poucas concessões, incrivelmente cabeça para o padrão descerebrado norte-americano. Não é um filme de ação, mas um filme de amor - tanto de amor romântico quanto, na minha humilde opinião, de amor ao cinema. O filme estréia na sexta. Vejam correndo!

escrito por Fabio Fernandes | 3/24/2003 04:04:00 da tarde


sexta-feira, março 21, 2003  

A vida é tão rara. Lá fora (será que é mesmo lá fora?), a guerra não pára. E quem quer a guerra não se dá conta de como a vida é uma coisa tão bonita e tão rara, como canta Lenine.
Hoje li um post num blog muito bonito, o Blowg, da Marina W., que conheci em pessoa há priscas eras, quando nenhum de nós tinha muita intimidade com a Internet. No breve período em que trabalhei na Rede Globo, Marina tinha um sebo muito bacana na Rua Jardim Botânico chamado Viralata. Todo dia, na hora do almoço, lá ia eu pra comprar algum gibi ou livro e bater altos papos com ela.
Paradoxalmente, depois dos blogs criados, paramos de nos ver e até de enviar e-mails um para o outro. Mas hoje fui lá no Blowg e li este post:
Cinzento Essa semana tive duas notícias muito tristes: um querido amigo está com câncer no pulmão. Uma amiga de faculdade, que morava em Florença, se jogou na frente de um trem.
E a gente continua se chateando por que o tempo está nublado, porque manchou um vestido, perdeu a hora do cinema. Quando a vida, na verdade, é outra coisa.


Ela tem toda razão.
Há cerca de dois meses, ganhei um tremendo presente de Natal atrasado: um e-mail de uma amiga muito querida, que eu não via há quase quinze anos. Ela conseguiu me descobrir pelo Google (eu tinha feito o mesmo com ela há um ano atrás e não consegui nada, pois ela casou e mudou de sobrenome) e desde então retomamos uma amizade maravilhosa que foi interrompida quando ela, mala, cuia e uma filhinha pequena, se mudou para Belém. ela e eu passamos por muita coisa juntos nos tempos do CEFET-RJ, quando eu estudava Eletrônica e ela, Edificações. Mas tínhamos uma paixão em comum: o teatro. Chegamos a estudar juntos na Escola Martins Pena, mas acabou não dando em nada. Trocávamos cartas (vejam vocês como a gente é velho - ainda não existia o e-mail naquela época) em que tratávamos um ao outro como (pretensão e água benta, vocês conhecem o ditado) Fernanda Montenegro e Fernando Torres. Claro que era só brincadeira, mas que a gente queria chegar lá, ah, isso a gente queria.
Mas o tempo passou e a vida nos levou por caminhos muito diferentes. De uma maneira ou de outra, realizei alguns sonhos - não aqueles que eu sonhava no começo, mas os que fui sonhando ao longo da estrada. E foi muito bom descobrir que o mesmo aconteceu com ela, que continua casada com o mesmo cara e tem hoje três filhas lindas.
Só uma coisa não foi boa de descobrir: na época, na verdade andávamos em trio. Tínhamos outra amiga muito querida, que estava sempre com a gente. E, se estudei na Martins Pena com uma, com a outra eu participei de outra coisa muito legal que foi um grupo de poesia do SESC Tijuca. Não era grupo bobo não: fizemos várias apresentações com gente muito boa, inclusive no (lamentavelmente) finado Circo Voador. Foi um dos momentos mais legais da minha vida, em que eu fazia as coisas com mais despojamento e não me preocupava com dindim para pagar as contas.
E agora eu fiquei sabendo que essa minha amiga está com uma doença grave.
Passei mais de uma semana sem dormir direito e literalmente tremendo, reunindo forças para visitá-la no hospital. Fui na segunda-feira de Carnaval. Ela estava muito abatida mas sorridente, e pudemos conversar bastante. Saí de lá mais leve - até porque conversei com a enfermeira, que me disse que o quadro dela estava melhorando bastante e em dois dias ela poderia voltar para casa para ficar com as filhas.
Ontem recebi um outro presente maravilhoso: um jpg com uma foto dela, carequinha mas um pouquinho mais gordinha e com um sorriso lindo nos lábios - e com o crachá da empresa onde ela trabalha! Ela não só está melhor como ainda reuniu forças para ir em frente, ir à luta. Ainda há esperança.
É isso. Não sou de falar muito de mim, como a querida Rossana Bocca comentou na festa do Marcorélio. Mas é porque eu não sou importante, Rossana. A vida, sim, esta é importante. E a gente deve aproveitá-la ao máximo. Porque é rara.

escrito por Fabio Fernandes | 3/21/2003 09:48:00 da manhã


quinta-feira, março 20, 2003  

Valeu! O Marcelino Freire publicou ontem, no seu ótimo blog já comentado aqui, o eraodito, um dos meus arquétipos, ainda inédito. Confiram lá!

escrito por Fabio Fernandes | 3/20/2003 10:42:00 da tarde
 

Cinqüenta anos esta noite. Hoje, 50 anos sem Graciliano Ramos. Como ele faz falta. Quem somos nós perto de um cara desses?
Vamos nos lembrar do Velho Graça da melhor forma possível: lendo. Vidas Secas, São Bernardo, Angústia. Não importa. Qualquer coisa de Graciliano é muito melhor do que a maioria do que se escreve no Brasil hoje em dia. Leiam!

escrito por Fabio Fernandes | 3/20/2003 10:21:00 da tarde


quarta-feira, março 19, 2003  


O Mito do Herói

É, meu amigo Charlie. Era um garoto que amava Blur e Radiohead. Foi lutar pela pátria. Com soldados armados, amados ou não. Não há luar, ó gente, ó não, luar como esse do sertão que é o deserto. No rancho do seu pai no Texas também era assim, ou quase. Só não tinha esse bombardeio todo, esse calor desmesurado, essa sede. E agora, Joseph? Minnesota não há mais. Os cães de guerra ladram e a caravana passa. Tudo passa, tudo sempre passará. A morte vem em ondas como as dunas. E o mundo é apenas um retrato na parede. Mas como dói.

A guerra dói.

escrito por Fabio Fernandes | 3/19/2003 11:19:00 da tarde
 

Tem Gostosa no Itaú! Não preciso nem explicar a vocês do que se trata, não é? Aquela coletânea de sexo e ficção científica editada pelo Gerson Lodi-Ribeiro (e que tem um conto meu) ganhou hoje sua primeira crítica na Web, feita pelo Sergio Kulpas para a revista eletrônica do Itaú Cultural. Confiram aqui e aguardem, que em breve vou divulgar os pontos de venda do livro no Rio e em São Paulo!

escrito por Fabio Fernandes | 3/19/2003 06:58:00 da tarde
 

Cuidado com o Erro 203! Desde ontem minha mulher sofreu que nem Judas no sábado de aleluia (quem tem mais de trinta lembra dessa expressão) tentando colocar um único, simples e mísero (mísero em número de linhas, não em termos de qualidade) post no blog dela. Impossível: ele ficava armazenado na memória do blog, mas não entrava no ar. Ela só foi conseguir hoje quase ao meio-dia, sacaneando o sistema de posts, pelo tradicional processo de tentativa e erro. Confira aqui como fazer para evitar esse erro que, pelas pesquisas dela, anda enchendo o saco dos blogueiros desde 2000, e parece que agora, depois da compra do Blogger.com pelo Google, está voltando com força total.

escrito por Fabio Fernandes | 3/19/2003 05:09:00 da tarde


terça-feira, março 18, 2003  

Da Série: Blogs Bacanas. Eu estava devendo isso há algum tempo: os blogs bacanas que tenho conhecido não estão no gibi - porque no mapa estão. Nas minhas pequenas navegações por este Mare Nostrum que é a Web, descobri vários blogs muito, mas muito bacanas mesmo. Hoje, nada menos que três. Confiram:

Olhos Sobre Telas - Blog delicadíssimo da Kora, uma simpatia de pessoa que tem deixado recados muito bacanas nos comentários e escreve poemas bonitos de doer, sempre complementados por fotos e desenhos. Amostrinha:

Guardados

Minha dor de fora é áspera
a de dentro pérola
Hoje te dei meu amor ostra


Um Dia Gnóstico - Blog também poético-imagético do aparentemente leminskiano (isto é um elogio, hein?) Carlos Saraiva, que se apresenta assim:
meu nome é
carlos saraiva
se me perguntam
como deve ser
respondo logo
cerveja
serpente
serviço
e o quanto antes
cervantes
que é pra
ser um
ser mil
ser dois
durar durante
e perdurar
depois


eraodito - Blog do escritor Marcelino Freire, autor de Angu de Sangue (Ateliê Editorial). Biscoito fino, com direito a fartas doses de poemas e textos, dele e de outros. Não bastasse isso, o Marcelino é a agenda viva da literatura paulistana: fiquem de olho no eraodito se quiserem saber onde e quando vão rolar as noites de autógrafos de Sampa - o cara sabe tudo!

Vocês já estão aqui na coluna da esquerda, ok?

escrito por Fabio Fernandes | 3/18/2003 09:15:00 da tarde


segunda-feira, março 17, 2003  

DEZ MIL VISITANTES! Hoje, mais ou menos às 13:26h (o Bravenet não é muito confiável, mas enfim, a gente se viramos com o que podemos), este humilde blog recebeu sua visita de número 10.000. Quase o dobro do que o Lanceiro Livre recebeu nos seus dez meses de atividade. E o Pólis ainda não saiu dos nove meses e meio, vejam vocês.
Muito obrigado aos amigos, colegas, conhecidos e eventuais desafetos (se é que existem)! Continuem prestigiando: eu continuarei escrevendo.

escrito por Fabio Fernandes | 3/17/2003 02:54:00 da tarde
 

Intolerância. No post cá de baixo, dei dicas para começar bem o dia porque o que vem pela proa não é mole. Enquanto o mundo aguarda com apreensão (pelo menos os que têm algo na cabeça) qual será a próxima decisão do Bushit, faço minhas as palavras do Ricky: a imprensa americana vai de Maus a pior. Este é o título de um puta post dele sobre a lamentada saída de Art Spiegelman da revista New Yorker. Abaixo, reproduzo o post na íntegra, porque não é só bem escrito, é fundamental para que algumas pessoas parem de uma vez por todas de terem atitudes blasés e tomarem partido a favor dessa guerra de merda e se dêem conta do que a intolerância é capaz:

É incrível, mas em meio a mudanças de casas & viagens & impossibilidade acompanhar tudo somente agora fiquei sabendo
pelo Pensar Enlouquece do Inagaki que Art Spiegelman deixou o New Yorker.
Spiegelman é um dos melhores ilustradores da atualidade e criou algumas das capas antológicas da revista New Yorker. E um quadrinhista genial, autor dos livros premiados MAUS e editor de publicações alternativas como RAW e Drawn & Quarterly.
Apesar disto, e apesar de sua ligação de 10 anos com a revista, e apesar de sua esposa e designer Françoise prosseguir como editora de arte do NY, Spiegelman perdeu o saco. Ou manteve a coerência.
Diante da caretização crescente do sofisticado NY, caretização aliás da imprensa americana de modo geral aliás - se isso ainda é possível - do povo americano, mais ainda; Spiegelman saiu. Suas últimas ilustrações vinham sendo vetadas e as que foram publicadas geraram ondas de protestos dos leitores da NY.
Como a capa da edição de 4 de julho onde num detalhe explodia uma bomba atômica. Ou a do Dia de Ação de Graças onde aviôes bombardeavam um país com perus.
Agora ele pensa em deixar também o país e morar na velha Europa.


Entrevista com Spiegelman, traduzida (para o inglês) do Corriere dela Sera, sobre sua saída do NY e o clima atual no Império Americano.

escrito por Fabio Fernandes | 3/17/2003 10:26:00 da manhã
 

Para começar bem o dia! Se bem que já estou tentando entrar no Blogger há uma hora e estava dando o famoso "Servidor Não Encontrado", o que quase faz meu dia começar mal. Mas com esta belíssima animação que eu descobri através da Carol Vigna, como ficar de mau humor? Detalhe: é tudo feito com papelão!

Para quem está a fim de meditar sobre os absurdos da guerra e da vida, recomendo este outro site também encontrado lá no blog da Carol: textos sagrados budistas. Aviso aos navegantes: é tudo em inglês. Mas são em grande parte as traduções clássicas, feitas no século XIX, e que ainda valem a pena.

escrito por Fabio Fernandes | 3/17/2003 10:08:00 da manhã


domingo, março 16, 2003  

Noitibó - eu recomendo! Durante o carnaval, recebi uma ótima surpresa que não comentei aqui por falta de tempo: recebi nada menos que DOIS CDs do Noitibó, banda de rock de Niterói: A Mulher do Tempo, de 2001 e o EP mais recente, O Filme que Deu Origem à Série.
O que dizer? O Noitibó (palavra que significa bacurau ou pessoa pouco sociável) começou como banda punk, mas decidiu abrir o leque para, nas palavras deles, "todas as possibilidades e abrangências que o rock poderia ter".
Para começo de conversa, Noitibó (formado por Andréa Amado, que gentilmente me enviou o material de divulgação, Alex Luiz e Serginho) é uma banda inteligente. Basta ouvir as letras de oração insubordinada assindética (de A Mulher do Tempo) ou Tabernáculo da Vaquinha (de O Filme que Deu Origem à Série para perceber - e gostar. Eles também mandam bem no instrumental - confira Ternária, deste último álbum.
E o Noitibó vai se apresentar hoje às 17h no Convés Bar, que fica na Rua Coronel Tamarindo (o número no jpg do cartaz está ilegível), em Gragoatá, Niterói. Se eu estivesse no Rio, iria. Fica a dica para quem está mais perto: confiram.
E visitem o ótimo site deles, aqui.

escrito por Fabio Fernandes | 3/16/2003 10:14:00 da manhã


sábado, março 15, 2003  

Disse-o com muita propriedade. Eu disse que não ia mais postar hoje, mas, num intervalo pro cafezinho, descobri esta pérola de entrevista que o digníssimo Adaílton Persegonha concedeu ao Gravataí Merengue em seu novíssimo blog (esse negócio de cada pessoa ter vários blogs está virando moda, hein? Como estamos ficando viciados!), o Celebridades. Entre outras coisas (como, por exemplo, porque o Leite de Pato tem esse nome), há um trecho que tem tudo a ver com o que rolou por aqui esta semana, uma pergunta pertinente com uma brilhante resposta do Persegonha. Concordo (parcialmente, mas depois explico por quê):

GM: Quais as melhores coisas de se ter um blog?
AP: Poder escrever o que eu quiser, na hora em que eu quiser e quando quiser sem ter nenhum pentelho pra me dizer o que eu devo ou não fazer.

Isso (de neguinho me pentelhando para eu dizer o que devo ou não fazer) nunca rolou em nenhum dos meus blogs, mas não deixa de ser um ponto pertinente para se pensar. O grande barato de um blog para mim é eu escrever o que quiser - contanto que isso seja útil de algum modo para alguém. Talvez seja deformação profissional de jornalista. Mas falem a verdade: não é ótimo quando alguém dá um feedback? Mesmo que seja para dizer que não concorda com o que você diz - ah, e sem deixar de lado a boa e velha educação, que é de lei.

É isso aí: aqui vocês não vão encontrar polêmica (talvez até encontrem um dia, mas se acontecer não vai ser de propósito), não vão encontrar tosqueira nem ofensas. Aqui vocês vão encontrar informação, diversão e arte. E estamos conversados. Quem for de paz que entre e puxe uma cadeira, que será bem-vindo.

escrito por Fabio Fernandes | 3/15/2003 06:31:00 da tarde
 

Agora eu sei quem lê tanta notícia. E muito, muito obrigado aos amigos que encheram minha caixa de comments do post do dia 12. Valeu pelo carinho e pelos puxões de orelha também. Este blog volta à programação normal amanhã ou segunda, assim que eu terminar uma tradução que está tomando meu tempo todo aqui.

escrito por Fabio Fernandes | 3/15/2003 09:26:00 da manhã
 

Tem Gostosa Hoje no Rio! Seu mestre Gerson Lodi-Ribeiro mandou avisar:
Só para lembrar, uma vez mais, o lançamento da nossa antologia de FC erótica Como Era Gostosa a Minha Alienígena! [Editora Ano-Luz, 2003], organizada por este vosso escriba, que se dará durante um coquetel que faremos hoje [sábado - 15/03] a partir das 14:00h na Casa Rosa do SESC-Tijuca [Rua Barão de Mesquita, 529].

Infelizmente, por uma série de problemas, eu não pude sair de São Paulo. Mas a coletânea tem vinte e um autores, e os outros estarão lá para autografar os livros. Para quem gosta, é uma boa pedida.

escrito por Fabio Fernandes | 3/15/2003 09:24:00 da manhã


quarta-feira, março 12, 2003  

Quem lê tanta notícia? Pois é. Será que vale mesmo a pena ter mais de um blog? Aliás, será que vale a pena ter um blog? É o que ando me perguntando nos últimos dias. Eu já havia falado disso com uns colegas blogueiros há algum tempo - colegas esses que haviam ficado muito chateados quando, após desativar o meu primeiro blog, o Lanceiro Livre (que não é mais atualizado mas continua acessável aqui, para quem não chegou a conhecê-lo), escrevi um artigo meio amargo na [Mão Única?], que você pode ler aqui.
Este artigo, aliás, gerou muita celeuma entre os pundits da Internet. Pundit, explico, é aquele sujeito que todo mundo venera porque acham que ele sabe tudo de determinado assunto, mas não sabe tanto quanto gostaria - apenas consegue embromar as pessoas. Pois é, naquela época eu fui bastante atacado (e até mesmo ofendido por um ou outro - mas não vou citar nomes, muito menos blogs) simplesmente por expor minhas opiniões. Foi então que aprendi uma coisa muito importante no mundo da Web: concorde sempre com a maioria. Caso contrário, você corre o sério risco de passar por intolerante ou ignorante.
Algum tempo depois, quando eu colaborava com mais freqüência para o Webinsider, do Vicente Tardin, eu não podia escrever um artigo sequer sobre weblogs que lá vinha de novo o apedrejamento. Para essas pessoas (desculpem não citar nomes, mas não quero ressuscitar a polêmica), Fábio Fernandes é (ainda hoje) sinônimo de corporativista e ignorante (ah, também me chamaram de "do mal").
Por isso tenho ficado cada vez mais alheio a esses assuntos. Não entendo nada de Web nem de blogs, cada vez me convenço menos de que entendo de jornalismo e comunicação. E definitivamente não entendo nada de marketing pessoal. Não sei convencer os outros a gostarem de mim - embora eu tente pelo menos ser gentil e educado com as pessoas, mas por incrível que pareça os blogs mais comentados são justamente os mais polêmicos, grosseiros e mal-educados com os seus leitores. Há exceções, claro, e excelentes, mas é isto o que eles são: exceções.
Este blog aqui não é uma coisa nem outra, muito pelo contrário. Não puxo o saco nem ofendo. Não faço parte de grupos, mas também não sou contra quem faz parte deles e não os critico. Procuro sempre um meio-termo, um caminho intermediário que tem razoavelmente a ver com o que eu aprendi no meu tempo de budista praticante (já lá se vão quase vinte anos).
Mas o meio termo parece não agradar. E, confesso, senhores e senhoras, que já não sei mais se vale a pena continuar. Certamente alguns vão gostar, outros dirão "porra, lá vem esse cara de novo querendo aparecer?" E, quero acreditar, um ou outro dirão que o blog está legal, que eu até deveria continuar com ele.
Não sei. Eu realmente não sei.

escrito por Fabio Fernandes | 3/12/2003 01:07:00 da tarde


terça-feira, março 11, 2003  

Livros lidos este ano (ou: competindo cabeça a cabeça com Adaílton Persegonha)

Janeiro
1. Um Despertar Gradual – Stephen Levine
2. Bridget Jones: No Limite da Razão – Helen Fielding
3. Máximas e Mínimas do Barão de Itararé – ed. Afonso Félix de Sousa
4. O Século Eletrônico – Alfred D. Chandler Jr.
5. Clones Humanos (releitura)
6. Burning Chrome – William Gibson
7. 13 Histórias de Vampiros – Ed. Flávio Moreira da Costa
8. 400 Erros que os Executivos Cometem ao Falar e Redigir – Laurinda Girón
9. Tomorrow Now – Bruce Sterling
10. O Anjo Exterminador – Bráulio Tavares
11. Museo – Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares

Fevereiro
1. The Other Log of Phileas Fogg – Philip José Farmer
2. Reinações de Narizinho – Monteiro Lobato
3. Vida – Modo de Usar – Georges Perec
4. Fábulas, Contos e Aforismos – Franz Kafka
5. Como Era Gostosa a Minha Alienígena – ed. Gerson Lodi-Ribeiro
6. Contemplação/ O Foguista – Franz Kafka
7. Adulthood Rites – Octavia E. Butler
8. Imago – Octavia E. Butler
9. Gangues de Nova York – Herbert Asbury
10. O Que É Semiótica – Lucia Santaella

Março
1. A Assinatura das Coisas – Lucia Santaella
2. To The Land of the Living – Robert Silverberg

E acabo de pegar na Livraria Cultura o mais recente livro do mestre William Gibson, Pattern Recognition. Aguardem comentários em breve!

escrito por Fabio Fernandes | 3/11/2003 07:52:00 da tarde


segunda-feira, março 10, 2003  

Não Vi e Gostei! Vocês já foram à Exposição dos Guerreiros Chineses de Xi'An? Infelizmente eu não fui (trabalho pra cacete e uma deadline que está literalmente me matando, fazer o quê?), mas a minha doce namorada foi e escreveu um post superbacana. Confiram!

escrito por Fabio Fernandes | 3/10/2003 11:01:00 da tarde
 

E também no Pequeno Dicionário.

escrito por Fabio Fernandes | 3/10/2003 04:39:00 da tarde
 

Ah, tem coisa nova no Cinephilia.

escrito por Fabio Fernandes | 3/10/2003 04:26:00 da tarde
 

Poemas novos na praça. O site A Arte da Palavra acaba de publicar mais dois poemas meus. Estão aqui. Espero que gostem.

escrito por Fabio Fernandes | 3/10/2003 08:54:00 da manhã


sábado, março 08, 2003  

Welcome back! Ele voltou. É um dos meus melhores amigos, um dos poucos sujeitos com quem eu sei que posso contar quando preciso. E um blogueiro meio errático, que diz que não gosta muito de blogar, mas desconfio que é quase tão viciado quanto eu, só não tem tanto tempo livre. E os posts dele me lembram um poema antigo da Margareth Castanheiro, poeta à qual aliás foi ele quem me apresentou: O acerto pode ser incerto, mas o erro tem que ser exato. Pô, K., vê se não fica tanto tempo sem blogar, rapaz!

escrito por Fabio Fernandes | 3/08/2003 11:20:00 da tarde
 

Valeu! Acabo de voltar do lançamento da coletânea Como Era Gostosa a Minha Alienígena!, na Comix. Muito legal rever velhos e novos conhecidos. Um obrigado especial ao Kuja e ao Marcelo! A gente se vê agora no Rio, no dia 15!

escrito por Fabio Fernandes | 3/08/2003 07:08:00 da tarde
 

Mas que ÓTIMA notícia!!

escrito por Fabio Fernandes | 3/08/2003 07:06:00 da tarde


sexta-feira, março 07, 2003  

Tem lançamento de livro amanhã!! Como eu já havia comentado de leve aqui antes do carnaval, mês passado foi lançada uma coletânea de contos da qual participo. O tema é mais louco que os livros mais gonzo que estão saindo hoje em dia: sexo e ficção científica. Nome do livro? Como era gostosa a minha alienígena! Local? Comix Book Shop (Alameda Jaú, 1998, São Paulo - próximo ao Metrô Consolação) Dia e hora? Amanhã, sábado, 8 de março, a partir das 13:00h.
Somos eu e mais uma pá de autores tão underground que a maioria de vocês não conhece, mas que está por aí desde os anos 1980... ou os 1960, como é o caso de André Carneiro, autor premiado e publicado no exterior. Outro nome conhecido da mídia é Jorge Luiz Calife (aquele que convenceu Arthur C. Clarke a escrever 2010), que lançou no final de 2001 a coletânea As Sereias do Espaço pela Record. Uma parte dos autores tem alguns contos publicados em uma coletânea de 2000, chamada Intempol (este projeto pioneiro de Octavio Aragão, sobre o qual falarei mais nos próximos dias, possui um site, que você pode conferir aqui.)
Um agradecimento especial para o Marcelo Galvão, do Serendipity, que foi o primeiro a divulgar. Espero vocês lá!

PS: No sábado seguinte (15 de março), o lançamento será no Rio de Janeiro. Aguardem, cariocas, que em breve postarei hora e local!!

escrito por Fabio Fernandes | 3/07/2003 10:06:00 da manhã
 

E tem coisa nova no Pequeno Dicionário.

escrito por Fabio Fernandes | 3/07/2003 09:56:00 da manhã
 

Apertem os cintos, o template sumiu! Até agora eu não estava achando nada de especial a compra do Blogger pelo Google. Afinal, business is business, e esse tipo de compra ocorre todo dia. Até que, pouco antes do carnaval, vários colegas meus passaram a achar esquisito que, no modo de edição, na faixa inferior (onde aparecem os posts já publicados), as acentuações tenham desaparecido e sido substituídas por caracteres tipo dingbats (hoje, aqui na minha máquina, os caracteres são orientais; mal posso esperar pelo alfabeto cirílico).
Só que, desde ontem, o Blogger não reconhece mais as alterações que faço no template. A minha mulher está tendo o mesmíssimo problema. Será que o Sr. Evan Williams ainda tem alguma jurisdição no que tange a troubleshooting no Blogger?? Acho que vou entrar em contato com ele...

escrito por Fabio Fernandes | 3/07/2003 09:48:00 da manhã


quarta-feira, março 05, 2003  

Cinema e CDs em Promoção! Hoje foi fim de festa. A partir de amanhã retomo o trabalho com força total, mas hoje - depois de dormir, claro - fui com minha fiel companheira ao cinema, ver As Horas. Resumindo numa palavra? Maravilhoso. O resto até amanhã eu vou publicar no Cinephilia.

Mas, em seguida, entramos nas Lojas Americanas do Botafogo Praia Shopping e descobrimos uma promoção de CDs a R$9,99. Se vocês acham que só tinha coisa ruim, vejam a listinha modesta do que a gente comprou:

Acústico Cássia Eller
Caçador de Mim - Milton Nascimento
Per Amore - Zizi Possi
Todas ao Vivo - Marina
Batuque - Ney Matogrosso
Puro Suingue - Jorge Ben


Foi ou não foi uma promoção em conta?

escrito por Fabio Fernandes | 3/05/2003 10:04:00 da tarde
 

Tremendo site!!! Quem cantou a pedra originalmente foi o Marcelo Soares, do Cabide D´Ashkalsa, mas eu peguei a dica no Serendipity, do Marcelo Galvão: The Classic Comic Reading Room, um site com várias histórias em quadrinhos da Era de Prata dos quadrinhos de super-heróis americanos (a Era de Prata, para quem não sabe, aconteceu durante os anos 1950, quando diversos heróis da DC Comics foram recriados em versões ultranovas, como o Flash e o Lanterna Verde). Existem diversas histórias (que naquela época costumavam ter cerca de 6 a 8 páginas cada) publicadas INTEGRALMENTE no site. Uma das minhas preferidas é esta aqui, que relata a origem do Martian Manhunter (mais conhecido no Brasil como Ajax, o Marciano). Mas tem Thor, Flash, Superman e Batman, entre outros. Confira!

escrito por Fabio Fernandes | 3/05/2003 02:01:00 da tarde
 

Por falar em mestrado, mudei o objeto da minha dissertação. Agora eu vou falar deste cara aqui, ó.

escrito por Fabio Fernandes | 3/05/2003 01:45:00 da tarde
 

Carnaval Semiótico. Pois é, como diz o Serjones, o tempo passa rápido quando a gente está na vagabundagem. Até consegui ir à praia, mas o que eu mais fiz foi tirar o atraso do sono... e ler, que eu não sou de ferro. As principais leituras do Carnaval foram para o mestrado, mas alternei os livros de semiótica com a boa e velha ficção científica. Confira:

Imago, de Octavia E. Butler - Até o ano passado eu só havia lido dois pequenos contos de Ms. Butler, na falecida versão brasileira da Isaac Asimov Magazine, mas nunca tinha entrado em contato com os romances dela, quase todos premiados e tidos em altíssima conta por crítica e público. Até que, no ano passado, num excelente sebo novo em Pinheiros encontrei nada menos que SEIS pockets dela, a preço de banana. Comprei, claro. Dos seis, três compunham a série Xenogenesis, uma narrativa de um futuro em que a terra é devastada por uma guerra nuclear (alô, Bush!) e os sobreviventes são resgatados e tratados por uma raça alienígena, os Oankali. Bom ou ruim? Depende do ponto de vista: o "preço" que os Oankali cobram pela ajuda é a simbiose com o DNA humano, o que modificará inteiramente os descendentes dos sobreviventes em duas ou três gerações . Ao longo da trilogia, acompanhamos a história de Lilith Iyapo e seus filhos em uma Terra do futuro, modificada pelos Oankali, e sua difícil relação com os alienígenas enquanto ela própria se torna algo que não é mais inteiramente humano.
Uma curiosidade é que a trilogia se concentra muito mais nas chamadas minorias do que no tipo WASP (white anglo-saxon protestant) que costuma até hoje proliferar nessas histórias. Ms. Butler é negra e lésbica, e seus protagonistas são todos negros, aos quais se juntam hispânicos, asiáticos e até um brasileiro (de São Paulo) no terceiro volume da saga, que eu acabei de ler. Destaque para as excelentes soluções biológicas que Ms. Butler consegue criar para a tecnologia Oankali, inteiramente bioquímica e orgânica.
Confira aqui excertos de uma entrevista que Octavia Butler deu em junho de 2000 para a Locus Magazine.

O Que é Semiótica e A Assinatura das Coisas, de Lúcia Santaella. Conhecida como a maior autoridade brasileira em Charles Sanders Peirce (o pai da Semiótica), a professora Lúcia Santaella (que eu tive o prazer de entrevistar para a revista Mídia Interativa do Itaú Cultural no ano passado) é referência para qualquer estudo referente a Semiótica. Eu já havia lido há anos O Que é Semiótica da Coleção Primeiros Passos da Editora Brasiliense, mas senti necessidade de relê-lo agora antes de encarar A Assinatura das Coisas, em que ela analisa a Literatura à luz da Semiótica. Dito assim, parece apavorante, certo? Errrado. O livro é muito gostoso de ler, desce mais redondo que uma Skol: ainda não acabei, mas as coisas estão ficando aos poucos mais claras para mim, que quero entender um pouco mais alguns conceitos como semiose e Umwelt, entre muitos outros. Está valendo a pena.

escrito por Fabio Fernandes | 3/05/2003 01:43:00 da tarde


domingo, março 02, 2003  

Legal! E minha digníssima senhôura acabou de ficar sabendo que foi copiada pela primeira vez pelo sempre atento Ratapulgo, editor do Copy & Paste. O texto em questão é um belíssimo post sobre a Avenida Paulista e suas pedrinhas coloridas - alguém já parou para ver essas incrustrações no meio do calçamento? Coisa mais bonita de se ver. Outro dia resolvemos percorrer a Paulista toda, com calma, conversando, namorando e vendo as pedrinhas coloridas de brilhante, como dizia a cantiga de roda. Não deixem de ler.

escrito por Fabio Fernandes | 3/02/2003 11:06:00 da tarde


sábado, março 01, 2003  

Fechado para balanço! Desculpe, galera, mas esta semana é carnaval. Embora eu não pule há alguns anos, estou aqui no Rio para tentar descansar com minha mulher. Talvez eu poste uma coisa ou outra, mas não garanto nada. Já no Cinephilia, postei um comentário sobre o ótimo filme Adaptação, de Spike Jonze. Tentarei ver alguns filmes nos próximos dias - mas alguns problemas pessoais também não estão ajudando muito. De qualquer maneira, continuem ligados. Abraço forte!

escrito por Fabio Fernandes | 3/01/2003 09:16:00 da tarde