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sexta-feira, agosto 30, 2002  

Declarando o voto. Há pouco tempo, um coleguinha jornalista (desta vez vou ficar devendo a fonte para vocês, porque não consegui achar aqui nos meus alfarrábios, mas estou quase certo de que foi o Zuenir Ventura) declarou seu voto, e disse que todo jornalista deveria fazer isso. Também acho. E o meu voto vai para Luis Inácio Lula da Silva. Voto no Lula desde 1989, porque sempre acreditei que é preciso mais que um discurso bonitinho de quem estudou na Sorbonne (como nosso atual presidente, não por acaso alcunhado por Glauber Rocha, ainda nos tempos da ditadura militar, de "Príncipe da Sociologia Brasileira") e não fez nada para tirar nosso país do atoleiro. Voto no Lula porque ele sempre se fez cercar de gente inteligente e politicamente séria. Voto no Lula porque seus programas de governo sempre foram os mais coerentes, sem conversa fiada. Pra que dizer mais? Só mesmo indo aqui e lendo a entrevista que mestre Antonio Cândido concedeu ao site da Campanha Lula Presidente. Se você não faz idéia de quem seja esse velhinho de 84 anos, autor do clássico Formação da Literatura Brasileira, entre aqui.

escrito por Fabio Fernandes | 8/30/2002 04:55:00 da tarde


quinta-feira, agosto 29, 2002  

Matéria-copyleft. A matéria abaixo foi escrita para o recém-falecido caderno de Mídia Interativa do Itaú Cultural, para o qual tive o prazer de trabalhar como colunista de Internet por pouco mais de um ano. Infelizmente, esta não chegou a subir para o site. Como pedra que muito se muda não cria limo jamais (d'après Muddy Waters + Alcione), decidi colocá-la aqui, até porque trata de um assunto de minha especial predileção: os nada politicamente corretos charutos. Smoke and have fun!


Charutos: prazer na ponta dos dedos

Responda rápido: o que Winston Churchill, João Ubaldo Ribeiro, Washington Olivetto e Steven Spielberg têm em comum? A predileção por um prazer politicamente incorreto, mas que nunca esteve tão na moda, principalmente no Brasil: charutos.

Apesar da atenção cada vez maior do governo brasileiro para o combate ao fumo, exacerbado recentemente pela campanha do Ministério da Saúde que apresenta fotos de pessoas doentes nos maços de cigarros para desencorajar os fumantes, o charuto tem experimentado um crescimento constante em seu status como produto sofisticado, feito para pessoas sofisticadas e de bom gosto.

Na Internet, três bons sites disputam a preferência do fumador veterano, e um deles é uma ótima introdução ao mundo dos charutos. Confira:

. Cigar Aficionado

O site desta revista é o mais sofisticado dos três. Produzido nos Estados Unidos, não liga muito para o embargo à ilha de Fidel, que por um bom tempo tornou os charutos cosas non gratas na terra de Marlboro – oficialmente os charutos são proibidos por lá, pelo menos até a indiscrição de Bill Clinton alardear sua predileção por um bom cubano. Como diz o nome, a Cigar Aficionado é feita sob medida para fãs de charutos – não importa a procedência.

Um dos pontos altos do site é a seção People, que apresenta os perfis de apreciadores famosos de um bom charuto, desde os indefectíveis Winston Churchill e Groucho Marx até figuras mais recentes, como o 007 Pierce Brosnan e a modelo Linda Evangelista, passando pelo maior propagandista vivo dos bons charutos cubanos (sim, ele mesmo): Fidel Castro. Destaque para o perfil de Ernest Hemingway, que viveu em Cuba por vinte e dois anos e hoje dá nome a uma linha de charutos da Tabacalera A. Fuente y Cia. – homenagem que “Papa” Hemingway talvez apreciasse mais do que o Nobel de Literatura que ganhou em 1954.

Além de curiosidades sobre fumadores famosos, a Cigar Aficionado é um verdadeiro guia para bom vivants: indicações de bebidas, restaurantes, jóias, cassinos, enfim, tudo aquilo que num mundo ideal acompanharia um bom charuto.

. Charuto Et Cia
Mas se você está muito longe de ser um boa-vida como o protagonizado por Marcello
Mastroianni no filme clássico de Fellini (e tanto o diretor quanto seu ator predileto eram apreciadores de charutos), e deseja simplesmente curtir um charuto, uma boa pedida é o site da revista brasileira Charuto et Cia.. Nesta edição online (a edição de banca está sempre um número à frente), confira a entrevista simpática com Washington Olivetto e a relação de tabacarias que vendem a revista em todo o Brasil. São 47 pontos de venda – sem contar as bancas de jornal, que estão aderindo à febre e começando a comercializar charutos de todos os tipos.

. Charutos e Cia

A maior desvantagem dos sites anteriores é o total descaso com o aspirante a fumador (fumante não; esta palavra não se aplica a quem fuma charutos). Para quem está começando a enveredar por esses caminhos nada obscuros mas bastante enfumaçados, uma boa dica é um site quase homônimo ao do UOL, o Charutos e Cia. Há menos de um ano no ar, ele já pode ser considerado referência fundamental para quem está dando suas primeiras baforadas, oferecendo dicas básicas para escolher, cortar e acender seu robusto, corona ou churchill. E, se você não sabe a diferença entre esses tipos de charutos, confira aqui.

Os três sites acima são apenas uma amostra – embora selecionada – do que existe de melhor em termos de charutos na Internet. Faça suas pesquisas e aproveite. Em termos de prazer na ponta dos dedos, é melhor do que sexo (virtual, claro).

escrito por Fabio Fernandes | 8/29/2002 02:58:00 da tarde


quarta-feira, agosto 28, 2002  

Discussões americanas. Semana passada, uma lista de discussão em inglês que freqüento passou por momentos constrangedores, quando resolveram comentar um artigo do Washington Times sobre a Ameaça Lula. Não foi uma discussão muito agradável de assistir, muito embora ela tenha se dado com uma elegância poucas vezes vista em listas de discussão. Um escritor americano, assumidamente republicano (leia-se conservador) insistia em que os Estados Unidos, ao se sentirem ameaçados, têm todo o direito de atacarem todo e qualquer país. Utilizando a Segunda Guerra Mundial como exemplo fora de contexto, ele dizia que Lula pode vir a ser um novo Hitler, e só nós não estamos vendo isso: se isso acontecesse (pois a matéria do Washington Times, um jornal que dizem ser de propriedade do tristemente famoso Reverendo Moon), os EUA teriam todo o direito de invadir o Brasil. Choveram respostas de todos os lados, todas argumentando - torno a dizer que de forma surpreendente - com calma e equilíbrio sobre a impossibilidade de um contexto hitlerista no nosso país. Desnecessário dizer que o americano continuou firme em sua posição: afinal, somos todos do Terceiro Mundo e não sabemos do que estamos falando (além do que, como ele lembrou duas vezes, ele é formado em Política, portanto - em sua opinião - sabe muito mais do que nós e ponto final).
Infelizmente, esta é uma questão que não tem ponto final. Não vou me deter mais neste assunto por ora, mas fiquem com este editorial da Carta Capital, que fala justamente sobre a questão da dominação americana e do seu absoluto desrespeito por tudo neste mundo que não seja lucrativo para eles.

escrito por Fabio Fernandes | 8/28/2002 08:36:00 da manhã
 

Ainda Leminski. Minha digníssima senhôura, que é muito mais antenada do que eu, descobriu e manda avisar aos navegantes que gostaram da dica de leitura mais abaixo: este site tem uma surpresa muito boa pra quem quer saber mais sobre o Catatau. Divirtam-se!

escrito por Fabio Fernandes | 8/28/2002 08:23:00 da manhã


terça-feira, agosto 27, 2002  

Só Drops, Só Drops. É o que provavelmente vocês lerão nos próximos dias por conta do excesso de trabalho. Um drope aqui, um link ali. Ma tutti cosa buona (é assim mesmo que se parla?)!

escrito por Fabio Fernandes | 8/27/2002 09:54:00 da manhã
 

Um usuário online e não sou eu. Trabalho, trabalho, trabalho e um pouco de estudo estão levando este lanceiro à exaustão. Mas, em breve, novidades.

escrito por Fabio Fernandes | 8/27/2002 09:53:00 da manhã


sexta-feira, agosto 23, 2002  

Bukowski, Fante, Pirolli. Recebi um e-mail do Joca Reiners Terron, editor da Ciência do Acidente, avisando: ele começou a colaborar ontem com a revista gonzo Fraude, com um muitíssimo bem sacado artigo sobre por que o mineiro Wander Pirolli é melhor do que os americanos Charles Bukowski e John Fante. Os argumentos convencem. A polêmica que se cuide.

escrito por Fabio Fernandes | 8/23/2002 03:49:00 da tarde
 

Eu na Fita. O sagaz Alexandre Inagaki, editor do SpamZine, me cantou a pedra: saiu uma matéria no caderno de informática no Jornal da Tarde de ontem, falando sobre o Blogchalking do Daniel Pádua, e citando de quebra uma pequena relação de blogs legais. Entre eles, este que vos digita, ao lado de ilustre companhia, como a da nunca demais comentada coleguinha Cora Rónai. Valeu!

escrito por Fabio Fernandes | 8/23/2002 03:37:00 da tarde


quinta-feira, agosto 22, 2002  

Posts perdidos. Por problemas de conexão, fiquei sem conseguir postar neste blog desde ontem. Hoje, no meio de um post longo sobre livros, o computador simplesmente travou e perdi quase tudo o que havia digitado. Abaixo, a única coisa que se salvou: um comentário sobre o nunca demais comentado Catatau, de Paulo Leminski. Quando eu tiver mais tempo (e meu humor melhorar), aguardem comentários sobre outros livros.
Catatau, de Paulo Leminski (Editora Sulina) - Catzo! Este livro dispensa palavras. Outra coisa que eu assumo além da nerdice: a condição de fã incondicional do karateca curitibano, do guerreiro-poeta-compositor-tradutor-jornalista cultural-e o escamball a quatro. O Leminski de Distraídos Venceremos e Agora é Que São Elas já é bom demais, devia ser lido na escola. O que dizer então de Catatau, livro que demorou oito anos (ou mais) para ser parido, e cuja leitura é uma odisséia bem mais que a de Homero? Odisséia verdadeira não no sentido de contar uma história, mas no sentido de abrir nossa cabeça para o sentido das palavras, de nos contar dezenas de histórias a cada página. E as histórias nunca são as mesmas a cada releitura. Poema em prosa, prosa poética, a ordem dos fatores não altera o produto. E o produto é este: o livro é massa. E difícil de encontrar, porque parece que está esgotado. Mas dizer que vale a pena é bobagem. É obrigatório e não se discute. Procurem, comprem, leiam, tenham.

escrito por Fabio Fernandes | 8/22/2002 10:59:00 da manhã


segunda-feira, agosto 19, 2002  

A Favor do Spam. Calma, não é nada disso que vocês estão pensando. Eu sou a favor é do SpamZine, do meu comparsa de [Mão Única?] Alexandre Inagaki, e onde estreei como colaborador na edição 75, distribuída esta madrugada aos assinantes. Logo de saída, três minicontos de safra nem tão recente, mas que ando retrabalhando como parte da coletânea Pequeno Dicionário de Arquétipos de Massa, a sair um dia, quem sabe no ano que vem. A cada edição, uma média de três histórias. Para receber por e-mail, é só dar um pulo aqui e se cadastrar.

escrito por Fabio Fernandes | 8/19/2002 05:22:00 da tarde


sábado, agosto 17, 2002  

Cores, nomes. Pois é, não foi só o template deste weblog que mudou. De hoje em diante, ele deixa de se chamar Política e Tecnologia para se chamar simplesmente Pólis.

O motivo? Há algum tempo, recebi um comentário meio incomodado de um visitante que não quis se identificar (como costuma acontecer toda vez que se fazem críticas ao invés de elogios - e isso é algo que nunca vou entender ao certo, mas enfim), dizendo que este weblog estava ficando muito fraco porque não estava se detendo mais especificamente nos temas propostos por seu nome.
Não levei muito a sério naquela época - pareceu-me despeito ou uma agressividade adolescente mal direcionada. Mas, depois de algum tempo, eu me dei conta de que aquele visitante não deixava de ter sua razão.

Por que escrevo? Porque gosto. Porque acho que posso transmitir informações relevantes - seja de que natureza forem. Porque tem gente que gosta (os comments e alguns e-mails carinhosos que recebo comprovam isso). Foi por isso que, menos de dois meses depois de matar o Lanceiro Livre, acabei retornando ao mundo dos blogs. Por incrível que pareça, teve gente que se ofendeu e disse que a morte do Lanceiro havia sido um (vejam vocês!) golpe publicitário. Teve gente que afirmou ter se decepcionado comigo pelas palavras duras que escrevi neste artigo aqui, na revista [Mão Única?]. Teve gente também que deixou de falar comigo, ou passou a me tratar num tom mais seco.
(Confesso que não entendo - na verdade, nem era para eu estar falando sobre isto aqui hoje, mas, ora bolas, já que eu estou mudando a estrutura física do blog, por que não dar uma rearranjada mental também, não é?)
Pensei em escrever um artigo para explicar o motivo da volta, mas não achei necessário. Acho que ficou claro que voltei simplesmente por um motivo: porque gosto de escrever. Provavelmente nunca terei uma audiência tão grande quanto os blogs mais famosos, mas agora percebo que não é isso o que importa.
Importa é escrever. Agradeço a vocês que têm vindo e me honram com sua presença e eventuais comentários. Críticas também valem, mas identifiquem-se, por favor: não tenhamos medo de uma discussão saudável.
Resumo da ópera (e que ópera!): este blog continua enquanto eu tiver assunto e gente que me queira ouvir - mesmo que seja apenas uma pessoa.

escrito por Fabio Fernandes | 8/17/2002 09:13:00 da tarde


sexta-feira, agosto 16, 2002  

Este blog mudou. Gostaram do template novo? Cortesia da amiga Tchela, do Maré (com uma ajuda do Luís Tiani, do Anatômico)! Muito obrigado, meus amigos!

escrito por Fabio Fernandes | 8/16/2002 09:50:00 da tarde
 

Blog novo na área. É o Olimpia no lo puede, da Marisa Rechenberg, em que ela conta as venturas e desventuras da Vila Olímpia. Bem-vinda, Marisa!

escrito por Fabio Fernandes | 8/16/2002 09:23:00 da tarde


quarta-feira, agosto 14, 2002  

Mas não vou acabar com o blog. Ele continua.

escrito por Fabio Fernandes | 8/14/2002 09:18:00 da manhã
 

Enquanto isso, não deixem de ler o blog da [Mão Única?], onde eu e o Jorge Rocha estamos sempre disponibilizando alguma novidade.

escrito por Fabio Fernandes | 8/14/2002 09:17:00 da manhã
 

Vem mudança por aí. Aguardem.

escrito por Fabio Fernandes | 8/14/2002 09:15:00 da manhã


terça-feira, agosto 13, 2002  

Perda na HQ Nacional. O quadrinho nacional ficou mais pobre: faleceu Flávio Colin, veterano de muitas batalhas, um dos maiores nomes das histórias em quadrinhos no Brasil. Fiquei sabendo agora há pouco, de sopetão, pelo Hiro Kozaka, na lista da revista PLAY. Ainda não achei nenhuma notícia sobre a causa da morte, mas segue um link contendo uma pequena biografia, também cortesia do sempre bem-informado Hiro. Um minuto de silêncio - e mais respeito pelo quadrinhista nacional.

escrito por Fabio Fernandes | 8/13/2002 06:39:00 da tarde


segunda-feira, agosto 12, 2002  

Emoção Art.Ficial. Este é o nome do simpósio que foi aberto oficialmente ontem no Itaú Cultural, em São Paulo. O evento de abertura foi a exibição de um documentário e uma palestra com o professor russo Lev Manovich, autor do livro
The Language of New Media. Abaixo, a programação das mesas redondas,que começam hoje:


12 (das 14h às 17h)
mesa 1
Artemídia: definições
Alex Adriaansen (V2/Holanda)
- Arlindo Machado (Brasil)
- Claudia Gianetti (MECAD/ Barcelona)
- Monika Fleischmann (MARS - Exploratory Media Lab/Alemanha)
- Moderador: Milton Sogabe (Brasil)

das (19h às 22h)
mesa 2
Centros de Produção em artemídia
- Fabienne Nicholas (Experimenta / Austrália)
- Itsuo Sakane (IAMAS /Japão)
- Audrey Navarre Daniel Langlois Fondation/Canadá)
- Piotr Krajewski (WRO - Center for Media Art/Polonia)
- Susan Kennard (Banf Centre/Canadá)
- Moderador: Marcos Cuzziol (Itaulab/Brasil)

13 (das 14h às 17h)
mesa 3
Redes e comunidades virtuais
- Gilbertto Prado (USP/Brasil)
- Ravi Vasudevan e Monica Narula (Sarai/CSDS/Raqs Media Collective/Índia)
- Susanne Jaschko (Transmediale/Alemanha)
- Anne Nigten (V2_Lab/Holanda)
- Moderadora: Tânia Fraga (UnB/Brasil)

13 (das 19h às 22h)
mesa 4
Arte e tecnologia na América Latina
-Jorge La Ferla (Universidad de Buenos Aires/Argentina)
-Jose-Carlos Mariategui (Alta Tecnologia Andina/ Peru)
-Príamo Lozada (Laboratorio Arte Alameda/México)
-Ricardo Dal Farra (Universidad Nacional de Tres de Febrero/Argentina)
-Silvia Laurentiz (ECA-USP/ Brasil)
Moderadora: Ivana Bentes (UFRJ/Brasil)

14 (das 14h às 17h)
mesa 5
Interfaces e Ambientes imersivos
- Elizabeth Vander Zaag (Banff Centre/Canadá)
- Joachim Sauter (ART+COM/Alemanha)
- Wolfgang Strauss (MARS/Alemanha)
- Suzete Venturelli (UnB/Brasil)
Moderadora: Rejane Cantoni (PUC-SP/Brasil)


14 (das 19h às 22h)
mesa 6
Artemídia: perspectivas
- Eduardo Kac (Instituto de Arte de Chicago/EUA)
- Jeffrey Shaw (ZKM/Alemanha)
- Maurice Benayoun (Université de Paris I/França)
- Roy Ascott (CaiiA Star/Inglaterra)
Moderador: Ricardo Oliveros (Itaulab/Brasil)


escrito por Fabio Fernandes | 8/12/2002 11:16:00 da manhã


domingo, agosto 11, 2002  

Tim Lopes. Reproduzo abaixo, com a licença do Ivson, do Picadinho Diário, a nota assinada pela Federação Nacional dos Jornalistas e pelo Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro sobre o resultado do inquérito sobre o assassinato de Tim Lopes.


"Tim Lopes não morreu em vão!

Mais uma vez o jornalista Tim Lopes, mesmo morto, denuncia as mazelas às quais a sociedade está entregue.
Capturado e executado pelos marginais por apurar denúncias de crimes contra menores, atendendo aos apelos de uma população que a polícia não protege, Tim agora está sendo responsabilizado por sua própria morte.


Ao ser capturado e assassinado, nosso colega cumpria seu dever profissional em um lugar público, que deveria estar sob a proteção das forças policiais que agora tentam denegri-lo.
O relatório do inquérito policial instaurado para apurar o crime denuncia o descaso de uma parte da nossa polícia, que não conseguiu cumprir a tarefa de prender os mandantes.


Quem responsabilizou a vítima pela morte apenas demonstrou despreparo, falta de interesse e incapacidade.


O episódio expõe o que ocorre na maioria dos inquéritos em tramitação nas delegacias do Rio de Janeiro. Mais de 90% dos homicídios ocorridos no Estado ficam sem solução.
Na interminável lista de casos insolúveis estão as ossadas encontradas junto aos restos de Tim Lopes. Elas continuam sem identificação.


A conclusão de que Tim foi capturado e morto por "misturar a emoção e a razão" engrossa o rol dos absurdos da burocracia e da desorientação do Poder Público no Brasil.
O escárnio é inaceitável. Nunca esteve entre as pretensões de Tim Lopes a busca de fama e notoriedade. Não é este o objetivo dos que dedicam a vida aos necessitados.


Nós, jornalistas, parabenizamos a governadora Benedita da Silva pela imediata exoneração do delegado, resposta firme à impunidade e à violência contra a cidadania. Ao mesmo tempo, demonstramos perplexidade diante do fato de o Governo do Estado ter sido surpreendido com o relatório do inquérito. Acreditávamos que a investigação de um dos mais bárbaros crimes de nossa longa história de violência, que alcançou repercussão internacional, estava nas mãos de pessoas responsáveis, sob o olhar atento das autoridades.


O inquérito frustra todos os cidadãos que esperam da polícia o cumprimento de seus deveres com a dedicação, decência e competência. Era assim que Tim exercia sua profissão, até ser tragicamente eliminado pelo banditismo que afronta a sociedade brasileira.


Comissão Tim Lopes
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro
Fenaj - Federação Nacional dos Jornalistas"




Em tempo: jornalismo neste país é coisa séria - ainda que, na maioria dos casos, só para os jornalistas. Não foram poucas as vezes que ouvi comentários demeritórios à profissão que escolhi, e que é tão digna quanto qualquer outra. Pena que (pelo menos neste mundinho digital) as pessoas que cobram mais profissionalismo dos jornalistas são justamente aquelas que nos tratam de modo mais antiprofissional e imaturo. E não estão ajudando em nada para que as coisas melhorem.

escrito por Fabio Fernandes | 8/11/2002 11:05:00 da manhã


quinta-feira, agosto 08, 2002  

O espaço trans-humano. Recebi do meu amigo Luis Felipe Vasques uma dica muito interessante, mesmo para quem não gosta de RPG: é o GURPS Transhuman Space. Ao contrário dos RPGs convencionais, mais voltados para ação, aventura e fantasia, Transhuman Space se preocupa, segundo a resenha de Jürgen Hubert para a RPGnet, faz as perguntas certas sobre tecnologia e suas conseqüências - e as responde da melhor forma que pode. A começar por uma definição que é estudada nas melhores faculdades que ensinam ciência cognitiva: como se define o que é ou o que não é humano? Numa linha de tempo cobrindo de 2010 a 2099, o autor do RPG, David Pulver, analisa possibilidades como colonização do espaço a inteligências artificiais, passando por teoria dos memes e biotecnologia.
Confesso que nunca fui grande fã de RPG, mas depois que escrevi um (mais informações a respeito em breve), passei a respeitar e apreciar os RPGs bem escritos. Como parece ser o caso de Transhuman Space.

escrito por Fabio Fernandes | 8/08/2002 09:30:00 da tarde
 

Utópicos, Heréticos e Malditos. Este é o nome de um excelente livro que acabo (Record), organizado por Aloisio Teixeira, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O volume é uma compliação de textos pouco conhecidos (e alguns inéditos) no Brasil de pensadores como Saint-Simon, Fourier, Proudhon, Bernard Shaw e Kautski, entre outros. Interessante para perceber que a história se repete sempre - e na maioria das vezes, como sabemos, como farsa. Uma curiosidade: Aloisio foi eleito para reitor da UFRJ em 1998 por alunos e professores, mas na hora H foi vetado pelo ministro da educação (em minúsculas mesmo) Paulo Renato. Uma coisa a gente pode agradecer a esse ministro: se não tivesse sido vetado, Aloisio Teixeira não teria dado o curso que gerou este livro. Obrigado a Adriana Fidalgo pelo envio.

escrito por Fabio Fernandes | 8/08/2002 09:01:00 da tarde


terça-feira, agosto 06, 2002  

Ando meio desligado. Também, pudera: foi uma maratona de uma semana traduzindo vinte e cinco páginas por dia para fechar um deadline, e quase que o degas aqui é quem fica dead. (Crianças, não tentem isso em casa.)

Agora sério: além do carinho e do apoio logístico da minha senhôura, o que me salvou da loucura total, do tipo babar-na-camiseta-hering (porque gravata só em ocasiões especiais) foram os canais do Spinner, radiozinho online sem-vergonha que é muito bom. Recomendo os canais Ambient e Eletronica, mas quem está acompanhando o blog da [Mão Única?] já sabia, certo?

Devo à descoberta do Spinner ao Daniel Pádua, que por sua vez soube através do Guilherme Kujawski. Valeu!

escrito por Fabio Fernandes | 8/06/2002 07:42:00 da tarde


sábado, agosto 03, 2002  

Mão Única no ar! Depois da volta da Maldita, a melhor notícia desta semana: tem número novo da revista [Mão Única?] no ciberespaço, agora em endereço novo, com o auxílio luxuoso do Fabiano Oggh, que nos hospeda agora em seu subversão.com. Como eu já havia dito antes, Jorge Rocha, criador e editor da revista, me convidou para co-editar com ele a partir deste número. E como tem coisa neste número: entrevistas exclusivas com o marroquino Mohammed el Hajji e com o paquistanês Tariq Ali. E um texto meu, que é apenas o começo de um longo ensaio sobre instabilidade no mundo e insatisfação com o estado de coisas. Mas afinal, quem está satisfeito? Nós não, e é por isso que a [Mão Única?] número 8 está no ar. Comemorando um ano de saudável subversão. Espero que gostem.

escrito por Fabio Fernandes | 8/03/2002 10:42:00 da manhã


sexta-feira, agosto 02, 2002  

A Maldita Voltou!!!! Só não fico mais emocionado porque não estou no Rio de Janeiro e não vai dar pra ouvir: depois de um desaparecimento de oito anos, a Rádio Fluminense FM voltou aos 94,9MHz do dial. Pioneira do rock, a Fluminense lançou artistas fundamentais para o rock Brasil dos anos 80, como Paralamas do Sucesso e Lobão, além de valorizar os clássicos do rock, sem preconceitos: de Pete Townshend a Peter Tosh, valia quase tudo; um ecletismo bonito e inteligente que seguia os passos de um grande DJ que nos deixou nos anos 70, o Big Boy. Mais sobre a volta da Maldita, como a Fluminense sempre foi carinhosamente chamada pelos ouvintes fiéis (dos quais este comovido lanceiro fazia parte) aqui. Lembrança mais que bem-vinda do Alexandre, do Língua de Trapo.

escrito por Fabio Fernandes | 8/02/2002 07:28:00 da tarde
 

Quadrinhos informais pero mucho buenos. Quem costuma ler estas maldigitadas sabe que não sou de falar de histórias em quadrinhos. (Para gibis, recomendo o Leituras do Dia, do Rodolfo Filho, que trata as HQs com carinho e competência.) Mas na semana passada, quando estive no Rio de Janeiro, dei de cara, na livraria Berinjela, com um exemplar gratuito da revista Informal. Número 1, papel jornal, 16 páginas muito bem fornidas com quadrinhos de todos os tipos e traços.

Trabalho do André Diniz, simplesmente um dos maiores nomes do quadrinho nacional dos últimos tempos. Dono da Editora Nona Arte, André é responsável por algumas das melhores histórias em quadrinhos brasileiras de 2000 para cá, como Fawcett, desenhada pelo papa Flávio Colin, e a série Subversivos (desenhada por vários artistas), a primeira a tratar dos anos de chumbo - o Brasil da repressão e dos movimentos clandestinos contra o regime. Não é à toa que eles levaram três prêmios Ângelo Agostini e dois HQ Mix, os maiores prêmios do quadrinho nacional.

A última do André é esta revista. Simples mas de excelente qualidade. No editorial, ele diz logo ao que veio, sem enrolação, dando o caminho das pedras para quem quiser lançar revistas semelhantes a um preço bastante em conta. André fala também do sucesso do site, que está oferecendo simplesmente todas as revistas de sua linha gratuitamente para download.

Mas querem saber? Tomem vergonha na cara e entrem em contato com o André para comprar seus exemplares. São baratinhos e colaboram para a sobrevivência da editora, a melhor coisa independente que surgiu na terra brasilis nos últimos tempos. Porque vocês não vão ficar chorando o fim da publicação da linha de super-heróis pela Abril, não é?

escrito por Fabio Fernandes | 8/02/2002 07:03:00 da tarde


quinta-feira, agosto 01, 2002  

Nós fazemos teatro. Recebi hoje, do meu amigo e diretor de teatro André Paes Leme (que me dirigiu numa engraçadíssima leitura de Engraçadinha, de Nelson Rodrigues, nos tempos da Uni-Rio), o seguinte texto, assinado por Fernando Bonassi, roteirista e autor do excelente Passaporte (em breve a ser comentado por aqui):


Contra a ignorância, o terror, a falta de educação, a propaganda de promessas, o conforto moral, a ordem acima do progresso, a fome, a falta de dentes, a falta de amores, o obscurantismo... nós fazemos teatro.
Fazemos teatro pra dar sentido às potencialidades, pra ocupar o tempo, pra desatolar o coração, pra provocar instintos, pra fertilizar razões, por uns trocados, por uma boa bisca, porque é fundamental e porque é inútil.
Pra subir na vida, pra cair de quatro, pra se enganar e se conhecer... contra a experiência insatisfatória; contra a natureza, se for o caso, nós fazemos teatro. Fazemos teatro pra não nos tornarmos ainda pior do que somos.
Pra julgar publicamente os grandes massacres do espírito.
Pra viabilizar a esperança humana, essa serpente...
Nós fazemos teatro de manhã, de tarde e de noite. Nós somos uma convivência de emoções, 24 horas distribuindo máscaras e raízes.
Nós fazemos teatro de tudo, o tempo todo, porque acreditamos que a vida pode ser tão expressiva quanto a obra e que devemos ter a chance de concebe-la e forni-la artisticamente. Porque estamos acordados. Porque sonhamos os nossos pesadelos.
Nós fazemos teatro apesar daqueles que, por um motivo que só pode ser estúpido, estejam “contra” o teatro. Aliás, o que pode ser “contra” algo tão “a favor”? Nós fazemos teatro contra a mediocrização do pensamento; a desigualdade entre os iguais e a igualdade dos diferentes.
Nós fazemos teatro contra os privilégios dos assassinos de gravata, batina, jaqueta, toga, minissaia, vestido longo, farda, camiseta regata ou avental.
Contra a uniformidade, nós fazemos teatro.
Nós fazemos teatro contra o mau teatro que querem fazer da realidade.
Nós fazemos teatro pra explicarmo-nos – ainda que mal – e ao mal de todos nós dar algum destino menos infeliz.
Nós fazemos teatro pra morrer de rir e pra morrer melhor.
Pra entender o inestimável, se esfregar no infalível, resvalar na nobreza, experimentar as mais sórdidas baixezas, pra brincar de Deus...
Nós fazemos teatro, comendo o pão que os Diabos amassam, os pratos feitos que as produções financiam e os jantares que as permutas permitem.
Nós temos fome da fome do teatro.
Porque onde houve e há teatro, houve e há civilização.
Fazemos teatro sim, tem gente que não faz e está morrendo, essa é que é a verdade.



Abandonei o teatro como ator faz tempo, mas ainda continuo escrevendo para o palco. E ainda que não continuasse, teria como não concordar? Assino embaixo, Bonassi.

escrito por Fabio Fernandes | 8/01/2002 10:56:00 da tarde
 

Dicas quentes. Para amanhã. Aguardem.

escrito por Fabio Fernandes | 8/01/2002 07:10:00 da tarde